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27.8.09

Die Welle

O que acontece se um professor tentar provar aos seus alunos alemães que, na época corrente, é fácil emergir um sistema ditatorial?

O projecto da semana para uma turma do secundário é a discussão do que é a Autocracia. Com a crescente discussão e revelação de pontos de vista, ocorre ao professor pesquisar sobre o tema e tentar aplicar na sua turma. Tudo porque alguém afirmou ser impossível que um "Terceiro Reich" ocorresse de novo.

Ele é o líder, sugere o uso de uniforme e os alunos pensam no resto: um site, uma página no MySpace, um logótipo.

Há confrontos na rua, uns são mais idealistas que outros, há desistências, há novos membros, até uma saudação.

Quando todos transbordam a vontade e se aproximam do perigo de uma comunidade com barreiras e ideias inflexíveis, o líder, o professor, convoca uma reunião a todos os membros e simpatizantes.
Todos vibram com as frases típicas de uma autocracia proferidas pelo líder e eis que o pano cai: explica que o que acontecera, não passara de uma prova de que tudo poderia voltar e em pouco tempo.

Um membro ou aluno mais radical revolta-se e exibe uma pistola, manda encerrar todas as portas, tenta convencer o professor que a Onda (Welle) não pode terminar assim, que é a sua vida. Alveja um colega e depois, incapaz de alvejar o professor, suicida-se, à frente de toda a audiência.

Dennis Gansel, realizador e argumentista, conseguiu captar a minha atenção nesta encenação encenada, expondo um problema inerente à sociedade alemã, que sofre as consequências dos actos dos seus ascendentes.

2.4.09

I would like to create a Film Group in Lisbon


It's true.
When I was in Berlin, 2 years ago, I met a group, who showed me the Cinema world.
Not the Hollywood one, or the very nice ones, about the greatest stories of the humanity.
It was about simple things in our lives, funny stuff, things that could happen.
I met Victoria Chan, too. A sweet concerned girl, who is from Canada, from the french part of Canada and her parents are from China.
She showed me that Cinema can be used for political and social issues. I mean, documentary films.
This creative girl took me to discussion evenings with German people too and opened further my mind.
Since that time, I am always having ideas, I mix photo and film ideas and I can't develop them. I don't want fun stuff like "Contemporâneos" or "Gato Fedorento". I mean ideas of make noticeable the different parts of Lisbon, literature and some social Problems. In english or german or both.
Research, lern and have fun.
I can do the translation stuff :)

3.3.09

Ensaio sobre a Cegueira, O Leitor e 1995

Dois livros que li, dois filmes a que assisti.

Ensaio sobre a Cegueira, José Saramago, 1995

Li-o em 2004, a seguir ao exame de código, que me roubou grande parte do meu tempo e concentração. Foi para comemorar. Foi um verão em que trabalhei como recepcionista numa residencial e quase rezava para que não aparecesse nenhum hóspede, daqueles que só vão "tomar banho" com a senhora, nem nenhuma chamada.
O livro já o tinha há algum tempo. Como muitos livros que tenho, compro-os em alturas de oportunidade, e leio-os anos depois, quando o interesse assim o proprorciona.
Como todos os livros em comparação às suas adaptações cinematográficas, é mais profundo, mais denso, e a escrita de Saramago assim o realça.
Fiquei completamente apanhada pelo livro, só descansei depois do último ponto final. A condição humana levada ao seu mais profundo desprezo e imundíce. A excepcionalidade da mulher do médico, que vê e que descreve tudo o que vê, ajudando-o nas suas mais pequenas tarefas. As personagens não têm nome e não teriam rosto, se não houvesse filme.
O filme está bem feito. A adaptação está boa, apesar das muitas críticas que ouvi. Penso que as imagens, pequenos e grandes planos... Misturas de luz...
Gostei bastante.

O Leitor, Bernhard Schlink, 1995

Espelha as problemáticas que surgiram nas duas décadas a seguir ao final da Segunda Grande Guerra. Assisti na Alemanha a seminários sobre o tema e tem muito por dizer ainda. Há ainda a preocupação do governo Alemão em assinalar de forma simbólica os aniversários do final da Guerra, o dia dedicado ao Holocausto, para que a opinião internacional não se lembre de acusar: "Hei, eles estão a ignorar o passado! Não se podem esquecer, senão volta a acontecer!". TODOS TÊM ESSA RESPONSABILIDADE, não deixar que coisas parecidas aconteçam.
Adiante.
Eu adorei o livro, li-o com a Dr. Anne Nicklich, nas aulas de alemão, no original e apaixonei-me. A história é simplesmente genial. Engloba o amor erótico entre uma mulher mais velha e um rapaz de 15 anos. Logo aí, prende o leitor e vende bem. E alia o passado sinistro de uma mulher que trabalhou para as SS, deixou morrer mulheres num incêndio e acarretou com a culpa sozinha, porque não quis dizer: não sei ler, não sei escrever.
E mais.
Como estudante de direito que é, Michael Berg assiste ao seu julgamento, sem a trair, e sem a salvar também, de uma pena tão pesada. Sem denunciar a relação deles. E com ele, ela aprende a ler, para sua felicidade.
O filme está bem adaptado. Tive pena da cena do cinto não ter sido contemplada. Quando fazem a viagem de bicicleta, Michael fica num hotel com Hanna. Pela manhã, ele acorda mais cedo e deixa-lhe um bilhete, ia fazer algo à rua e ja voltava. Ela ofendeu-se, porque não sabia ler e assim que o vê, bate-lhe com o cinto. É desconcertante.
Outra falha do filme: é demasiado explícito desde o início que ela é analfabeta. No livro, isso é subtil e revela-se mais tarde.
Gostei de ver dois actores alemães a interpretar o seu papel em inglês. Achei positivo, afinal, eles merecem estar num filme, cuja língua original do texto é a sua.

Reconheço que ambos os filmes se difundem melhor em inglês, mas prefiro na língua original. As legendas servem para isso mesmo: para suprir as nossas falhas de interpretação da língua.