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14.6.10

Tive tempo

Não tenho tempo.
Nem sofrimentos sobre que escrever. Parece tudo equilibrado.
Tenho saudades de passar a caneta pelo papel. Das palavras decorridas à velocidade e ao sabor dos pensamentos.
De dar musicalidade às letras. Pelo menos, a minha musicalidade.
E é essa que me interessa. Quando nos faz sentido, atinge-se um belo objectivo. Depois há as introduções e teorias da literatura para estudar as palavras ambíguas e misteriosas do poeta ou escritor que sofre.

A arte, para mim, é a expressão do sofrimento por excelência.

Da emoção difícil de digerir. Da problemática humana.


E eu sei que por vezes sou problemática.
Pânico sinto, em maioria, nas coisas mais pequenas.
As grandes só se podem construir com o tempo.

Porém, basta sentar-me num miradouro para melhor relativizar as coisas.
Dali, pouco importa mais que a arquitectura e a beleza da cidade.

E quando ando fula, passada, com os nervos em franja, nada como bater sola por ruas desconhecidas, descobrir recantos encantados, livrarias raras, cafés cheios do charme do bairro.


Sair da monotonia, ouvir novas vozes e dizeres.




9.4.10

Apatia vs Sol


E quando as palavras te faltam

E tudo parece pouco sincero

Ou tudo está mal

E tens tudo para estar bem

Onde um jardim cheio de sol e mal bastaria

Para me encher de novo de alegria



A Primavera começou



Tenho de ir para a rua

Arrancar os casacos pesados da pele

Deixar o sol beijar-me as faces

Usar óculos de sol que me protejam

e me deixem aproveitar

a minha época preferida



Não me privem

Que já sou escrava do trabalho

Dos horários dos transportes

e dos horários das refeições



Lass uns die Sonne geniessen

Die Stadt besser kennen lernen,

Wie ich damals gemacht habe




5.4.10

Trocavas uma amiga pelo teu sossego?


Ando a dar voltas à cabeça e ao estômago com os recentes acontecimentos.
Todas as pedras da calçada sabem que gosto de sossego. Detesto confusões e por vezes a sinceridade que emano quebra algumas sensibilidades.
Também sou uma pessoa acessível, comunicativa e, a menos que o meu instinto diga para não o fazer, sou receptiva a novos contactos e amizades.
Mas quando me cheira a problemas, tenho tendência a afastar-me. Porque muitos deles não têm resolução possível, as pessoas são como são e não mudam.
O mundo ainda é grande o suficiente para evitar esses contactos com cauda de confusão, que onde quer que batam, partem tudo.
Não nego sentir empatia com certas pessoas assim, mas o esforço... Não sei se compensa, manter contactos amistosos com um espectro com uma sombra negra. Mesmo sem culpa directa disso.
E depois há aqueles que só merecem o meu desprezo, fazendo-me já clara aqui, para que não alimentem falsas esperanças de reconciliação.
Mas adiante, certos acontecimentos recentes vêm fomentar a minha posição: não presta, fica de fora. E todos estão incluídos nesta categoria: assim que começa a cheirar mal a valer, não há volta a dar.
Lembro-me de alguns nomes, femininos e masculinos, que apesar de saber que são insignificantes, têm pelos menos o prémio do meu desprezo.

21.3.10

Sunny day II

Que café mais saboroso
Ao sol matinal de Domingo!

Vocês são mesmo fantásticas.
Desde as noites em que o meu Opel Astra ia cheio até ao MDN,
voltava ainda mais cheio.
Até o Choriço ia.
As risadas, as cusquices entre nós, pouco sobre outras pessoas,
mas claro que os chatos eram sempre criticados.
Os que tinham pancada ou que se atiravam de cabeça,
e nós nem interessadas estávamos, ahahah.
Agora temos vidas diferentes, menos maquilhagem, já não vivemos perto.
Mas a sinceridade continua ali, foi saboroso... Matar saudades!
Essas são as belas amizades... Por mais tempo que passe, nada se apaga.

Assim, quando há vontade, não há horas, não há dias. Apenas nós.

Adoro-vos

@Grao de Areia

14.3.10

First sunny day in months

Chegou o sol.


Vesti uma camisola apenas (yeah!), mas levei um casaco, fui apanhar sol!
Pôr a conversa em dia, ver a calçada Lisboeta seca e a brilhar.
A chuva pintou de verde vivo os poucos espaços, que deveriam ser sempre verdes, existentes em Lisboa.
Andei ao sol, feliz e contente de sentir-me mais viva.
Sem ser o Casa ou ALT+Insert ou home ou end e ponto.
Andar sem carregar um guarda-chuva que só guarda a cabeça e os ombros da água.
É Março e a Primavera anuncia a sua chegada.
Anuncia roupas leves e passeio de bicicleta.
Corridas agradáveis para activar a circulação.

E anuncia a chegada de muita inspiração.
Porque passei o Inverno a fazer Input, agora quero fazer Output.
Do que li, aprendi e do que esqueci que existia à minha volta.

haja tempo.

17.2.10

Sururu

E quando ando sururu?



E quando estou com a neura?



Só se nota em casa. Raramente me vêem assim na rua, no trabalho, no café, num bar ou num museu.



Fico sururu com a monotonia.



Quando quero escrever e nada me ocorre.



Quando a leitura não me prende.



Quando a novidade é inexistente.



Quando o tempo está horroroso que não dá para passear, ou secar roupa.



Quando tenho de gastar muito dinheiro sem dar para o IRS.



Ou... Quando tenho coisas a tratar na Segurança Social.



Basicamente.



Amuo comigo própria e depois passa. Até é simples de aturar.



I guess...





15.2.10

Descansa em paz.

O meu dia tinha sido maravilhoso.
Preparativos de casamento, vestido lindo e barato.
Sorrisos.
E visitei o Santuário de Fátima na qualidade de adulta. Em criança o fascínio é maior por sermos pequenos.

E à noite vejo um acidente.
Sem que ninguém pudesse evitar, morreu um jovem rapaz, 27 anos, pai de dois filhos.
Sem saber que aquele vulto encoberto por um lençol branco, eu chorei.
Chorei pela estupidez do acidente, pela morte cruel trazida pela velocidade. Não sabia quem era. Mas chorei.

E voltei a chorar ao saber a sua identidade.
Jovem tímido, de sorriso irónico, mas bom rapaz.
Pai estremoso, atleta e bom marido.

Foi uma semana difícil. Chorava por tudo e por nada, andava nervosa com aquela imagem do corpo pelo chão. E eu era quase desconhecida dele.

Este acidente e triste ventura teve um efeito negro sobre a aldeia. Todos tristes, chocados e incrédulos.
Uma esposa jovem viúva e mãe.

Não imagino o que possa sentir, mas deve ser horrível não sentir mais a presença do seu cônjuge, uma separação sem adeus.

A vida é uma dádiva que a muitos é tirada cedo.
Outros vivem-na sem senti-la decentemente.
Ou vivem para a tirar a outros.

Não entendo tais posturas.
Mas esta sou eu.
Durona numas coisas, mas quando se trata de humanidade... Fico de rastos.

8.9.09

Acordar ao Domingo e....


Não há nada como lavarmos a alma no mar.
Sentir a ondulação e as temperaturas frias. Tocar nas pedras submersas e verdes de idade.
Movimentar todos os musculos, salpicar o ar e sentir o sabor do sal.
Dançar na água e pular.
Sentir os seus braços em torno de nós.
Sentir o raiar do sol forte e recarregar energias.
Só o som do sol e o silêncio das ondas.
E o teu respirar.


@ S. Pedro do Estoril

28.7.09

Mais sossego, quero

Apesar de me sentir muito atraída por viagens e aventuras noutros locais que envolvam outro ambiente linguístico, sinto-me a apreciar a estrada de baixo que liga o Porto Rio a Porto Novo. Quem aqui perto nasceu dá valor ao sossego de uma viagem limpa de bicicleta pelo alcatrão comido pelo sol. De manha a frescura é imensa e à tarde ouve-se bem os pneus a beijar a estrada. Sente-se as várias sombras das várias árvores e montes. Sinto-me também a apreciar mais o canto verde que tenho disponível aos fins-de-semana.

Neste momento estou sentada à secretária, a aplicar-me nas leituras e a observar o enorme sossego do meu outro canto, mais citadino. E não saio à rua para não ficar sem o sabor a sal das férias verdes e douradas e suadas...

22.6.09

Black and White

Todo o ser humano lida com luzes brancas e luzes negras.
As luzes brancas iluminam e causam alegria;
As negras passam, fazem arrepiar e por vezes causam apreensão.
Roubam a boa energia que nos alimenta o quotidiano.
Se eu fosse a madre de todas as cousas,
Eliminaria alguns alvos,
Ou melhor,
Iluminaria esses alvos,
Lavando-os com lixívia,
Ou simplesmente trocando a lâmpada.

Mesmo que não queiramos,
Essa negritude incomoda-nos e até nos provoca o medo.

















E, sabendo que não há escadote que nos leve ao casquilho,
Ou lixívia que coma as nódoas,
Basta aprender a viver no escuro.

Na negritude formada pela sombra do prédio vizinho.



17.4.09

New home, new life


So, I am moving out. This place in which I've been living is becoming empty. I was enjoying this the location, but I am starting to feel something bad about it. It's becoming hell to, because of 2 guys: my flat-mate and a crazy snail, who is living with us since March. He does nothing but play video games, eat and not clean. The opposite, instead.
So I am moving out, I found a nice place in the neighborhood. So my boyfriend and I, we're going to move our stuff tomorrow.
It's a new life :)

27.2.09

explicar ontem

As lágrimas que me saem são resultado da ausência das minhas letras.
São um escape ao desabafo que fazia por meio de folhas de rascunho a meio de uma leitura qualquer.
São o resultado deste músculo mole que pulsa o sangue vital e que esconde os sentimentos.
Não são lágrimas de tristeza, não. São lágrimas de desabafo. Tal como quem diz asneiras o dia todo, ou grita com o primeiro que lhe aparece. Outros até batem, conforme as oportunidades.
É deitar o lixo fora, das frustrações, dos nervos, e do nada em si.
São o resultado de ter e nao ter tempo.
Da correria que é entrar no mundo do trabalho. E ganhar para comer, vestir e pagar a renda. Tal como todos os outros.
De não se perder em leituras e caminhadas pela cidade.
É a vida de adulto.
Não é mau de tudo. Perde-se algumas coisas, ganham-se outras. Independência plena. O Amor. A companhia divertida da cara-metade.
Sorriso.

24.12.08

Noites

São noites frias,
Em que a ausência de calor proporciona insónias,
Pensamentos e reflexões duras de processar.

São noites frias,
Em que os pequenos problemas do dia-a-dia
se tornam penosos e cheios de arestas por limar.

São noites frias,
Que aquecem lentamente
Proporcionalmente
Às horas solares

De manhã cedo
Esquecidos
E no entanto
São quando começam

3.12.08

Medo de Expressar

E no receio de ser lido,
Contradizendo-me agora,
Guardo secretas frases na gaveta dos rascunhos.

O que escrevemos é algo sempre nosso.
Exceptuando a tradução, que só é nossa quando é ridícula,
As nossas frases são sempre tecidos de subjectividade
Com a renda exterior das palavras,
Que nos deturpam a Liberdade.

Guardo frases.
São secretas, porque receio os juízos.
Juízos da inutilidade das palavras tecidas.
Porque só se tornam úteis
Quando pelo leitor lidas.

Não receando apenas os juízos,
Mas também expor demasiado o Universo Secreto.
Porque na Literatura existem os espiões da Interpretação.

Fernando Abreu

9.11.08

Domingov

São bolas de mofo incontroláveis que rebentam na nossa cabeça e um domingo à tarde.
Antecipar uma semana de trabalho sentado,
Onde muitos dos meus pensamentos andantes gritam baixo.
Haja paciência e que os que não a têm,
fujam.
Ou então é falta de açúcar.

13.10.08

Quando o cortina sobe...

Uma espiral de angústias desenvolve-se na garganta...

Começa com uma pequena irritação,
Para um turbilhão de coisas;
A esse se junta a preocupação de não incomodar,
Não fazer sofrer:
Mas ao rodar mói.
Do fundo do mar acabam por subir alguns Dejectos:
Uns do Passado,
Outros do Futuro....

As vozes do inconsciente iniciam uma luta entre si.
Gritam, ralham, defendem a sua posição,
Fazendo brotar lágrimas de confusão,
Sem que um encadeamento de palavras lógicas consiga romper a fronteira dos lábios.
Pode vir o vento, a chuva ou o Sol,
Que a pressão das lutas não alivia,
Até não conseguirem mais bater-se.

Aí, os ventos acalmam,
O estômago deixa de apertar e os lábios descolam-se.
Se algum dado foi processado....?
Por vezes não é. Nem uma pelica.
É um acesso de fúria que se concentra na garganta.
Depois passa.


Até vir o seguinte.

18.9.08

Desabafo

É tão difícil para mim confiar
Deixar que se mostrem honestos
Porque nestes tempos funestos
Só se ouve falar em Atraiçoar.

A minha generosidade é conservadora
Antiga e cheia de pó
Não se adequa aos tempos correntes
Como o saber cantar e não poder fazê-lo.
No meu caminho só consigo ver eu.
Procuro desesperadamente um outro,
Porque só sou miserável.
Mas vou conquistando terreno.
Gostaria de abrir o coração e partilhar.
Mas talvez seja ser fraco.
Como me sinto hoje.
Fraca.
Amanhã será outro dia.

*Algures em 2006
Rascunho perdido no fundo da gaveta

5.3.08

Um Dia Dior

Passei aqui para deixar um resquício daquilo que vivi.
Não aquilo que vivi durante a minha existência, mas o que vivi hoje.
Olhei para um palco e identifiquei inúmeras emoções, inúmeras vozes.
Caras conhecidas até.

Mas nada valeu mais que eu assemelhar-te a Ele.
Que eu seja perdoada antes de tudo pela blasfémia que pode ser;
Que não se atrevam a criticar um 2. que seja.
Eu vi-te ali. Representado naquele actor.

Vi-te e senti-me feliz.
É óptimo sentir-me assim.
Senti-me uma Madalena encontrada.
Tu bem sabes as lágrimas que já verti.

Estás a meu lado.
E eu demorei imenso tempo a reconhecê-lo.
O Perfume revigorou.

9.1.07

Beijar as Origens


Se me sentia frágil e coracäo cinzento
Hoje, e nos últimos dias, vejo tudo... Colorido!
Näo que tivesse visto o Pássaro verde,
Como qualquer um poderia ter dito;
Mas porque revi caras
Revi a cor do meu Mar...

Absorvi energias nas prateleiras do meu quarto,
Sorvi livros de uma só vez
Admirei cada palavra na minha língua
Brinquei com a luz dos meus olhos,
Ri com aqueles que melhor me conhecem
Transmiti aquilo que vira,
Que vivera.

E voltei... Apesar do Inverno feio
Vejo tudo brilhante
A chuva näo molha, o frio näo passa,
A fome saciou-se.
Compreendo agora o que 'raízes' querem dizer.
Revigorante...

16.12.06

Contradicoes


Estou frágil. Frágil como um pássaro sem tecto.
Livre, mas frágil. Sem leito onde curar as feridas.
Cristal partido.

Estar só é uma bencao,
mas é um risco enorme.
Sempre a mesma dialéctica:
Estar só para produzir e aprender,
Estar acompanhado para näo sentir o frio das palavras.
Calor humano.
Fácil de o ter, difícil de o manter.
Fácil, porque momentaneamente pode-se ter companhia.
Difícil, porque para o manter é preciso ter qualidade.
Odeio sentir que perco tempo com as pessoas.

Frágil.
Quebro-me em cada sorriso, em cada reflexo de luz nesta cidade e sinto-me bem.
Mas estou frágil.

Estar só, estar acompanhado.
Amar, näo amar.
Escrever, näo escrever...

A Literatura é uma Mäe para mim.