7.9.06

Meus Valores

Irrita-me os nervos cada passo errado
Como o beijar sem ser amado
Mas nesta corrida de lapsos
Vou encontrar-te a meu Lado:

Verdade.
És tu quem eu mais amo.
A Verdade do Sentir, do Olhar,
De Apreciar.

Cordas.
Numa corda bamba
Está a nossa existência
Numa eléctrica
A melhor frequência...
Dão-me música, Sentimento
Descarrega a áurea negra
que outras Cordas presas
Provocam...

Procuro a Verdade.
Amizade.

16.8.06

Contra Sentimentos

Definitivamente parar é Morrer…

Para-se e morre-se aos poucos,

Pensa-se como loucos

Sem chegar a lado nenhum.


Pensa-se no que se podia fazer e não se faz,

Pensa-se que pouca gente nos compreende,

Pensa-se que o Amor não é possível,

Decide-se fechar o Coração

Simplesmente para não Sofrer

E não Morrer…


Acreditar só é válido quando é em nós próprios

Ou na Amizade sentida

Porque sem ela não há Vida.


Vou correr para não Morrer

Não quero sofrer

Vou antes lutar

Que cansa menos

E pode compensar.

4.8.06

Escrever

Ser poeta não é lançar Rimas.
Não sou poeta;

É trabalhar arduamente a Palavra.
Não sou poeta;

É não obter o desejado resultado.
Não sou mesmo poeta...

Fernando Abreu

22.4.06

Carta aos Portugueses

Caros Portugueses,
A nossa situação financeira e social está em maus lençóis. É verdade. Mas a culpa não é só dos políticos! E da corrupção. É de cada um de nós, desde estudantes a trabalhadores, agricultores e economistas. A culpa é nossa, porque até os nossos sonhos mais íntimos deixamos para mais tarde, sempre para amanhã, quanto mais sermos pontuais no trabalho e correctos na vida social. O problema está no nosso egoísmo de pouco fazer, porque separar o lixo dá trabalho e enche o canto da cozinha, os textos que têm que ser preparados antes para o trabalho/emprego vão ser lidos meia hora antes, no trabalho só queremos descansar e parar para um cigarro... E nada de produtividade. Nada de dar valor ao lugar que temos na empresa e ao ordenado que, mesmo sendo pouco, nunca pode subir se não dermos um impulso à economia.
Não podemos progredir com este espírito derrotista e de pouca vontade. Tudo se faz com luta, a vida não é um filme ao qual assistimos no cinema: aí tudo se resolve com um sorriso. Na vida real, meus caros amigos, tudo se resolve com paciência e vontade. o que vos falta, Portugueses. Pensem um pouco. não basta fugir para o estrangeiro se o vosso espírito é sempre igual.
Um esforço todos os dias... comecem pelo pouco, mas comecem!

13.4.06

Tributo ao Cântico Negro

José Régio,

Leio-te o teu melhor poema
Para não me entregar à inércia,
De que todos os que me rodeiam,
vivem.
Leio-te para não me esquecer
que eu corro para um Bem maior.
Leio-te para me lembrar de que tudo consigo,
Que tudo o que sonho é possível.
Basta continuar a correr.

Corro entre as gentes da cidade
E a espuma do mar.
Corro numa ansiedade
Que me faz acalmar.
Divido-me nos cruzamentos da vida,
No cântico e na subida,
De novo encontrando-me na rotunda.

São ciclos mais tumultuosos que tornados
Cansados estafados mas sonhados.

A minha realidade é Sonho.
Sonho durante e pelas ondas da areia
E as pedras da calçada,
Pelo ar poluído
Numa grande lufada.

Corro por entre buzinas
E espantos.
Sorrio.
Quanto mais me canso,
Mais forças tenho: É o que me ensinas.

Leio-te para não me esquecer do caminho
E para me recordar
Que as vozes que ouço
Nem chegam a incomodar.

Eu Vivo nos Becos Lamacentos!!!

27.1.06

Visitar o Mar


Olhar o Mar é Sonhar

Calcular litros

A Forca

Soltar os Espíritos, Males e Pensamentos.


Olhar o Mar

Chorar

E sentir as lágrimas do mar

E do Sal do Mar

Fundindo-se numa só borriça !


É o alívio da tensão

Abrir o Coração.

Pegar no Travão

Voltar à Realidade

Sobre o Alcatrão.

15.1.06

Ideias Revolvidas e Revoltadas

Ah, Egoísmo!
Eu te censuro e tu dominas-me!
Sofro as consequências,
Mas lamentavelmente contribuo.
Obsessão, Ciúme!
Eu critico,
Mas sinto-o!
Tento lutar contra essas Negatividades!
E Elas anulam-me.
Fraco sou eu.
Fraco por não ser implacável,
Como todos os egoístas!
Como todos os obcecados!
Pelo menos eles têm uma conduta
Irremediável conduta!
Fundamentalista!
Eu odeio o Terrorismo.

8.11.05

Diante de ti


Desejaria caber dentro de mim
Sentir que posso expressar
Expressar o que ando a pensar
E não chegar ao fim
Muito antes de ter principiado
Como desistir de amar
Sem nunca ter amado.

Vejo-te, ó criatura genial,
E penso se tu não és eu,
Com a diferença de que tu não tiveste medo
no passado
E eu ando passada com o medo
De expelir estes pensamentos malucos
E deles serem lidos e ficam mudos.

Giram as ideias e sentimentos pela minha cabeça
Tudo mais sério que uma sentença.

1.9.05

Dias Singullares

Mais um dia de Fobia de gente.
Mais um dia que apetece hibernar,
Sonhar, escrever e Inventar.
Um dia em que todas as vozes incomodam,
Em que os gestos mais doces se tornam agressivos e evasivos.
Dias em que apetece chorar e gritar
Contra a Moral, os Bons Costumes e as Regras.
Dias em que a almofada é a melhor companheira,
Aguentando todas as Lágrimas e Pensamentos.

Há dias em que apetece desaparecer,
Assim como há dias em que apetece brilhar!!!
Dias em que o sol queima sem se fazer sentir,
Dias em que a solidão congela a Multidão.
Dias em que tudo é obrigação,
marcada pela indiferença e arrogância...

Dias em que é preciso pedir permissão para Respirar,
Quando é um acto involuntário e impensado...
Dias... em que te querem pôr a mão em cima e TU não deixas!
Porque Tu és quem manda e nada mais te deve preocupar!
Dias em que lamentas ter, um dia, dado o controle
A outra pessoa...
Pois apenas TU sabes o que queres e por que lutar!

Dias em que a chuva acaricia a janela...
E tu agradeces não ter saído de casa.
Dias em que nem a tua vox obedece.

8.6.05

O Poema da Minha Vida

Cântico Negro

"Vem por aqui" --- dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
--- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
--- Sei que não vou por aí.
José Régio