São noites frias,
Em que a ausência de calor proporciona insónias,
Pensamentos e reflexões duras de processar.
São noites frias,
Em que os pequenos problemas do dia-a-dia
se tornam penosos e cheios de arestas por limar.
São noites frias,
Que aquecem lentamente
Proporcionalmente
Às horas solares
De manhã cedo
Esquecidos
E no entanto
São quando começam
24.12.08
3.12.08
Medo de Expressar
E no receio de ser lido,
Contradizendo-me agora,
Guardo secretas frases na gaveta dos rascunhos.
O que escrevemos é algo sempre nosso.
Exceptuando a tradução, que só é nossa quando é ridícula,
As nossas frases são sempre tecidos de subjectividade
Com a renda exterior das palavras,
Que nos deturpam a Liberdade.

Guardo frases.
São secretas, porque receio os juízos.
Juízos da inutilidade das palavras tecidas.
Porque só se tornam úteis
Quando pelo leitor lidas.
Não receando apenas os juízos,
Mas também expor demasiado o Universo Secreto.
Porque na Literatura existem os espiões da Interpretação.
Fernando Abreu
Contradizendo-me agora,
Guardo secretas frases na gaveta dos rascunhos.
O que escrevemos é algo sempre nosso.
Exceptuando a tradução, que só é nossa quando é ridícula,
As nossas frases são sempre tecidos de subjectividade
Com a renda exterior das palavras,
Que nos deturpam a Liberdade.
Guardo frases.
São secretas, porque receio os juízos.
Juízos da inutilidade das palavras tecidas.
Porque só se tornam úteis
Quando pelo leitor lidas.
Não receando apenas os juízos,
Mas também expor demasiado o Universo Secreto.
Porque na Literatura existem os espiões da Interpretação.
Fernando Abreu
São letras, expressões e palavras
Que povoam o meu imaginário.
Palavras que se conhecem
Palavras que se julgam conhecer
E palavras que se conhecem e não se expressam
Porque a tua Língua não deixa.
O desconhecido é assim desbravado e arrasado
Pelos cliques e "Copiar" e "Colar"
E brincar, imaginar, reinventar.
17.11.08
Simpatia Rural
A um Domingo, levantei-me para fazer uma caminhada. E ao passar pela terra do vale, a caminho do local de encontro com os outros caminheiros, assisti a um fenómeno há muito por mim não visto: a multidão a sair da igreja. Simplicidade tosca dos fatos de domingo;
o "Bom dia" proferido, mesmo que haja hostilidade/desconfiança/inveja.
E à tarde, num daqueles eventos familiares, vi-me caída num filme rural, num convento franciscano de lages gastas e frias, num almoço ternurento e alegre. Se pensava que iria entrar e sair sem que ninguém pudesse notar, puseram-me à frente de toda a plateia, apresentaram-me, e a ti também, bateram palmas, porque sou filha do meu pai, e tu genro dele.
Caí num tribunal com sorrisos, um teatro sem palco.
Fui para os bastidores, almoçámos na cozinha mais antiga das nossas vidas e foi maravilhoso.
Interessa é estarmos em conformidade connosco próprios. E ao vivermos assim, somos felizes. Tal como eles vivem e são.
Venham mais aventuras destas. Apesar de adorar o corropio das cidades, o nosso canto a norte é paradisíaco.
9.11.08
Domingov
São bolas de mofo incontroláveis que rebentam na nossa cabeça e um domingo à tarde.
Antecipar uma semana de trabalho sentado,
Onde muitos dos meus pensamentos andantes gritam baixo.
Haja paciência e que os que não a têm,
fujam.
Ou então é falta de açúcar.
Antecipar uma semana de trabalho sentado,
Onde muitos dos meus pensamentos andantes gritam baixo.
Haja paciência e que os que não a têm,
fujam.
Ou então é falta de açúcar.
4.11.08
Lissabon, bewegt dich!
Lissabon ist eine kleine Stadt, wo man viel von tradizionelles finden kann.
Alle Hügeln lassen nicht die Modernität von Fahrräder in der Stadt ein.
Platz gibt es nicht: alle Wagen Benutzern brauchen Platz zu parken und zu fahren.
Garten? oder Parks? Ganz selten kannst du einen finden oder da ruhig bleiben.
Portugal ist so schlecht organisiert!
Aber Lissabon hat vielleicht die schönsten Gebäude Europas.
Am Abend, wenn die Sonne untergeht, kann man die Stadt genießen, während die Platzlosen nach Hause fahren.
Alle Lichte zeigen, was man am besten in Lissabon sehen kann.
Die leere Gebäude, die Geschichte der Stadt, die kleine Gässe, in dem nur alte Leute wohnen.
Weißt du was Lissabon braucht?
Kunst. Farbe.
Ab und zu kann man es sehen und spüren.
Ich würde gerne Spontaneität auf der Straße sehen.
Ja, weil in Lissabon kann man immer winterlich leben.
Ich bemühle mich, es zu verdrängen.
Ich bemühle mich, es nicht zu sehen.
Ich bemühle mich,
jeden Tag es anderes zu sehen.
Alle Hügeln lassen nicht die Modernität von Fahrräder in der Stadt ein.
Platz gibt es nicht: alle Wagen Benutzern brauchen Platz zu parken und zu fahren.
Garten? oder Parks? Ganz selten kannst du einen finden oder da ruhig bleiben.
Portugal ist so schlecht organisiert!
Aber Lissabon hat vielleicht die schönsten Gebäude Europas.
Am Abend, wenn die Sonne untergeht, kann man die Stadt genießen, während die Platzlosen nach Hause fahren.
Alle Lichte zeigen, was man am besten in Lissabon sehen kann.
Die leere Gebäude, die Geschichte der Stadt, die kleine Gässe, in dem nur alte Leute wohnen.
Weißt du was Lissabon braucht?
Kunst. Farbe.

Ab und zu kann man es sehen und spüren.
Ich würde gerne Spontaneität auf der Straße sehen.
Ja, weil in Lissabon kann man immer winterlich leben.
Ich bemühle mich, es zu verdrängen.
Ich bemühle mich, es nicht zu sehen.
Ich bemühle mich,
jeden Tag es anderes zu sehen.
1.11.08
überblick
Hoje, sábado, irrito-me com a chuva que não me deixar secar a roupa.
No meu canto minúsculo da Lisboa sossegada, não tinha meio de estender a roupa mal torcida da máquina ancestral. E eu que queria cuidar da roupa que sujo durante a semana só de ir e vir do trabalho.
Deixo para o fim de semana estas tarefas, pois de semana o que mais faço é o jantar e o almoço do dia seguinte.
Vejo séries no computador para adormecer, leio aos bocados o meu livro* que me acompanha para o trabalho e adio as corridas para aliviar o stress.
Já pouco saio para a noite Lisboeta e dormir até tarde é impossível.
Aproveito este novo modo de vida para me habituar ao Inverno e hoje andei até me doer os pés à beira-Tejo.
A vida vive-se todos os dias. Apesar de alguns percalços, a minha vida tem sido mais tranquila e feliz.
Só falta ter mais tempo para a corrida e para alguns amigos Lisboetas.
Hoje saiu um texto mais diário.
* O Inverno do Nosso Descontentamento, John Steinbeck
No meu canto minúsculo da Lisboa sossegada, não tinha meio de estender a roupa mal torcida da máquina ancestral. E eu que queria cuidar da roupa que sujo durante a semana só de ir e vir do trabalho.
Deixo para o fim de semana estas tarefas, pois de semana o que mais faço é o jantar e o almoço do dia seguinte.
Vejo séries no computador para adormecer, leio aos bocados o meu livro* que me acompanha para o trabalho e adio as corridas para aliviar o stress.
Já pouco saio para a noite Lisboeta e dormir até tarde é impossível.
Aproveito este novo modo de vida para me habituar ao Inverno e hoje andei até me doer os pés à beira-Tejo.
A vida vive-se todos os dias. Apesar de alguns percalços, a minha vida tem sido mais tranquila e feliz.
Só falta ter mais tempo para a corrida e para alguns amigos Lisboetas.
Hoje saiu um texto mais diário.
* O Inverno do Nosso Descontentamento, John Steinbeck
28.10.08
Memórias

São milésimos de segundo,
Fracções de pensamentos que evocam um outro mundo
Outra forma de viver
Outros valores
Outros sorrisos
Outros cheiros
Outras luzes
Outros locais
Outras noites
Outras temperaturas, cores e vozes
Misto de Novo e adorável mundo
Com o mais fiel dos anos 80.
Eu quase vivi o ano em que nasci.
22.10.08
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